Os produtores de cebola do Alto Vale do Itajaí estão em apuros. O preço por quilo pago ao agricultor caiu pela metade do ano passado para agora. O cenário é descrito como preocupante. O prefeito de Ituporanga, Geison Kurtz, decretou situação de emergência econômica na cidade. O município leva o título de capital nacional do produto. Sai dali cerca de 10% da produção que chega às mesas brasileiras.
Volmir Borssatto, engenheiro agrônomo da prefeitura, conta que o preço médio ponderado do produto está na casa dos R$ 0,67 por quilo. Isso não é nem metade do valor gasto pelo agricultor para produzir essa mesma quantidade do legume. A situação é reflexo da safra acima da média em todo o Sul do Brasil, que colocou bastante produto no mercado, mas a demanda não cresceu no mesmo ritmo.
Com o decreto, Ituporanga espera encontrar alternativas para ajudar os produtores de cebola a administrar uma equação que não está fechando. Segundo Volmir, fevereiro e março são os meses de começar a pagar os financiamentos da safra, mas quem investiu, por exemplo, entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por hectare vai receber entre R$ 25 mil e R$ 30 mil com a venda.
O município vai buscar alternativas para ajudar os produtores a renegociar as dívidas e, se possível, abrir novas linhas de crédito. Os governos do Estado e federal devem ser acionados.
Um levantamento técnico apontou que o custo médio de produção da cebola, compreendendo mudas, defensivos, máquinas e mão de obra seria de R$ 1,33 por quilo. Na safra passada, já não foi esse o valor que o agricultor catarinense conseguiu na hora de vender a produção. O preço ficou na casa de R$ 1,20. O cenário ideal, conforme Volmir, seria de R$ 2 o quilo, para pagar os custos e sobrar para investimentos.
A última vez que o preço ficou dentro do esperado foi na safra 2023/2024.
Para ter uma ideia do tamanho do impacto na economia local, o engenheiro agrônomo exemplifica: com o valor de R$ 2 pagos ao agricultor, isso renderia uma arrecadação na casa dos R$ 200 milhões ou até R$ 250 milhões. Com o valor atual, fica na ordem de R$ 100 milhões. A produção da cebola é uma das principais fontes de renda da cidade de 28 mil habitantes no Alto Vale do Itajaí.
Neste ano, foram colhidas cerca de 158 mil toneladas do alimento em Ituporanga. Quem tem como armazenar e esperar uma eventual mudança no preço, espera. Mas também não se pode aguardar muito. É que, a partir de março, a cebola argentina passa a entrar no mercado brasileiro. Com o preço baixo por aqui, não deve haver muita importação, porém é outro fator preocupante.
Um relatório assinado pela prefeitura, Epagri e Sindicato Rural de Ituporanga cita: “Apesar dos elevados custos de produção, a produção de cebola mostra-se tecnicamente consolidada, mas no momento economicamente inviável. Políticas de apoio, assistência técnica e gestão de mercado são fundamentais para garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva”.
Os números da cebola em SC
SC produz cerca de 40% da cebola que abastece o mercado brasileiro
Cerca de 30% disso vem de produtores do Alto Vale do Itajaí
São 10% saindo especificamente de Ituporanga.
Fonte:Nsc