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Violência contra a mulher: Brusque registra três casos por dia em 2025
Por Administrador
Publicado em 04/03/2026 07:36
Segurança

Brusque registrou três casos de violência contra a mulher por dia em 2025, totalizando 1.342 ocorrências ao longo do ano. Destas, 546 (40%) foram ameaças. Os demais casos se dividem entre 273 lesões corporais (20%), 225 injúrias (16%) e 144 vias de fato (10%), quando há violência física. Os dados são do Observatório da Violência Contra a Mulher.

A idade média das vítimas é de 36 anos. Outros crimes também foram registrados, como seis estupros, 39 casos de calúnia e 70 de difamação. Os casos registrados até janeiro de 2026 também foram divulgados. O primeiro mês do ano contabilizou 100 ocorrências, sendo 39 ameaças, 21 lesões corporais e 19 injúrias.

Nos últimos seis anos, foram registrados 7.241 casos. O ano de 2024 lidera a lista, com 1.406 registros. Em seguida aparecem 2025 (1.342), 2023 (1.243) e 2021 (1.187). Por fim, estão 2022 (1.038) e 2020 (925).

Conscientização dos crimes

O delegado titular da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (Dpcami) de Brusque, Alonso Torres, explica que o aumento de casos em 2024 e 2025 ocorreu devido à conscientização e à estruturação das autoridades.

Ele frisa que, apesar do elevado número de registros, não há confirmação de que tenham ocorrido novos casos. Segundo o delegado, os crimes contra a mulher se mantêm em uma linha estável.

“A mulher tem se tornado mais autônoma e mais integrada ao mundo econômico e do trabalho. Então, isso gera conflitos pessoais e familiares. Essa situação faz com que, efetivamente, esses crimes existam, e há um limbo de casos que não chega à polícia”, diz.

Para o comandante da Polícia Militar de Brusque, tenente-coronel Pedro Machado, o número é considerado expressivo para o município e reforça a necessidade de políticas públicas contínuas. Porém, ele considera que o aumento dos registros também pode refletir a confiança das vítimas em denunciar.

“É possível que haja uma combinação de fatores. Pode haver um crescimento real dos casos, mas também é evidente que campanhas de conscientização, maior divulgação dos canais de denúncia e o fortalecimento das redes de proteção têm encorajado mais mulheres a buscar ajuda”, explica.

Torres afirma que, assim que um boletim de ocorrência chega à delegacia, a vítima é chamada para depor e informar se deseja dar continuidade à investigação. No entanto, o número de boletins que a Dpcami recebe não é condizente com o efetivo policial, o que gera uma fila de atendimentos.

Em casos urgentes, há a possibilidade de solicitar medidas protetivas de urgência, que são encaminhadas ao Judiciário e, em menos de 24 horas, concedidas.

“Os pedidos de medidas protetivas de urgência lideram a lista. Elas podem incluir proibição de contato, afastamento do lar e até proibição do uso das redes sociais. Há uma estatística de que 80% das medidas protetivas resolvem a situação. Ou seja, há eficácia”, explica.

Violência psicológica e intimidação

O comandante afirma que a maioria dos casos se trata de violência psicológica e intimidação. Logo que a equipe atende a uma ocorrência, realiza o acolhimento da vítima, coleta informações, orienta sobre os direitos previstos na Lei Maria da Penha, registra o boletim de ocorrência e, dependendo da situação, pode conduzir o autor à delegacia, especialmente em casos de flagrante ou risco iminente.

Na sequência, o caso é registrado e segue para investigação pela Polícia Civil de Santa Catarina, que poderá solicitar medidas protetivas ao Judiciário.

Taxa de reincidência entre os casos preocupa PM | Foto: Vitor Souza/Arquivo O Município

Para evitar novos casos de violência contra a mulher, uma policial atuante na Rede Catarina, programa institucional da Polícia Militar de Santa Catarina direcionado à prevenção da violência contra a mulher, realiza o acompanhamento das vítimas com medida protetiva. São feitas visitas preventivas, fiscalização do cumprimento das medidas e orientação às vítimas.

Também é disponibilizado, por meio do aplicativo PMSC Cidadão, o Botão do Pânico para vítimas com medida protetiva ativa, para que possam, com apenas um toque, acionar a Polícia Militar de forma emergencial.

Reincidência dos agressores

Pedro afirma que, em alguns casos, a dependência emocional ou financeira da vítima em relação ao agressor dificulta o rompimento do ciclo da violência e a notificação da ocorrência. Ele diz que a denúncia é essencial para que haja auxílio.

“Quando a Polícia Militar é acionada e identifica que se trata de um caso reincidente, a primeira medida é garantir a segurança da vítima e interromper imediatamente a agressão ou ameaça. Se houver flagrante delito ou descumprimento de medida protetiva, o agressor é preso e encaminhado à delegacia para os procedimentos legais”, diz.

O acompanhamento da vítima também é intensificado, com as visitas preventivas e monitoramento mais próximo para evitar novos episódios. Para o comandante, o trabalho integrado com a rede de proteção é fundamental, pois oferece apoio psicológico, social e jurídico à vítima, para que ela tenha condições reais de sair da situação de violência.

A Polícia Militar também realiza palestras em escolas, campanhas educativas, participação em eventos comunitários e divulgação de canais de denúncia. “Essas iniciativas são fundamentais para promover mudança cultural e conscientização sobre a violência contra a mulher”, finaliza.

Guabiruba e Botuverá

O histórico de casos dos últimos seis anos em Guabiruba e Botuverá também foi divulgado. No período, as autoridades de Guabiruba atenderam 944 casos de violência contra a mulher. O ano que lidera o ranking é 2024, com 208 registros.

Em 2025 e 2023 houve diferença de apenas sete casos, com 167 e 160 registros, respectivamente. Já em 2022 e 2021, a diferença é de um caso, com 127 e 128 registros, respectivamente.

Em Botuverá, o número total de casos nos últimos seis anos não chega a 200. As autoridades atenderam 162 ocorrências. O ano de 2024 lidera a lista, com 41 casos, seguido por 2025 (36) e 2023 (24). Por fim, aparecem 2020 (23), 2022 (21) e 2021 (15).

 

Fonte:O Município de Brusque

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