A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) manifesta profunda preocupação e repudia a decisão anunciada pelo governo federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como “taxa das blusinhas”.
Trata-se de uma decisão extremamente equivocada, que penaliza diretamente quem investe, produz, emprega e acredita no Brasil. Em vez de fortalecer a indústria nacional, o varejo formal, os empregos e a arrecadação do país, a medida amplia ainda mais a desigualdade tributária e regulatória entre as empresas brasileiras e as plataformas internacionais.
A indústria e o varejo nacionais atendem, há décadas, consumidores de todas as faixas de renda, oferecendo produtos acessíveis, qualidade, inovação, diversidade e geração de milhões de empregos formais. Cerca de 80% das peças comercializadas no Brasil possuem valor abaixo de US$ 50, justamente a faixa que agora volta a receber tratamento favorecido para produtos importados.
É inadmissível que empresas brasileiras arquem com elevada carga tributária, juros reais altíssimos, custos logísticos, exigências trabalhistas, ambientais e regulatórias, enquanto concorrentes estrangeiros passam a ter vantagens ainda maiores para acessar o mercado nacional.
A decisão também representa um duro golpe sobre os investimentos produtivos, sobre a geração de empregos formais e sobre toda a cadeia têxtil e de confecção do Brasil — uma das maiores geradoras de empregos industriais do país e presente em mais de 60% dos municípios brasileiros.
Além disso, a medida impactará negativamente a própria arrecadação pública. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, as encomendas internacionais geraram R$ 1,78 bilhão em arrecadação federal, demonstrando que havia um caminho de maior equilíbrio competitivo e formalização do comércio eletrônico internacional.
O Brasil precisa fortalecer sua produção, ampliar sua competitividade e estimular investimentos industriais, e não aprofundar a dependência externa e desestimular aqueles que aqui produzem sob regras rígidas e custos elevados.
A Abit seguirá atuando firmemente junto ao Congresso Nacional e às autoridades competentes em defesa da indústria nacional, do emprego formal, da concorrência justa e do desenvolvimento econômico sustentável do Brasil.