Deputada federal mais votada da história de Santa Catarina, a catarinense Júlia Zanatta (PL) chegou a ter o nome cotado para concorrer ao Senado e a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) nas Eleições 2026. No entanto, optou por buscar a reeleição na Câmara dos Deputados com uma pretensão: fazer história.
Com 560,2 mil votos recebidos, sendo a mais votada em uma a cada cinco cidades catarinenses e a quinta federal mais votada do país em 2026, ela considera que o desafio foi cumprido.
Além dos recordes alcançados e de aumentar em cinco vezes a votação de 2022, Zanatta ainda elegeu o marido, Guilherme Colombo, como deputado estadual, o sexto mais votado do PL.
“Fizemos história, eu e os catarinenses que me escolheram. Eu também tenho falado uma frase que é a seguinte: o futuro de Santa Catarina tem nome, tem sobrenome, e usa uma tiara na cabeça”.
As principais razões do resultado
Zanatta fez mais votos para deputada federal do que o candidato a presidente Romeu Zema (Novo) fez na disputa presidencial, com toda exposição de uma campanha nacional. Ela também superou com folga a votação de Jair Renan Bolsonaro, apontado por algumas pessoas como favorito a ser o mais votado por deter o número “2222” e o peso do nome Bolsonaro nas urnas. Um feito que a colega Carol de Toni também conseguiu na disputa para o Senado.
Questionada sobre os números, Zanatta diz receber o resultado com tranquilidade, embora não esconda o entusiasmo com as marcas expressivas. A deputada mais votada de SC credita o resultado à coragem demonstrada no primeiro mandato, ao posicionamento firme e também à habilidade de se comunicar bem com o eleitor.
A votação recorde a credencia a almejar voos maiores. A deputada reeleita evita se estender sobre o tema e diz que o plano imediato é ajudar a eleger Flávio Bolsonaro à Presidência da República no segundo turno. Também quer divulgar o modelo de desenvolvimento de Santa Catarina para o resto do Brasil. Apesar disso, não nega os planos para o futuro.
“É claro que a minha eleição me credencia, me dá credibilidade para eu almejar uma vaga majoritária na próxima eleição, mas é claro que isso passa também por uma construção política”, reconhece.
Ela evita a empolgação e diz que chegou a conter os ânimos da equipe durante a campanha, para pedir “pé no chão e humildade”.
“A soberba precede a queda. Então, eu vou continuar nessa pegada, porque tudo depende de uma construção, mas com certeza eu estou pronta para o combate, para desafios maiores”, admite.
Planos para o governo do Estado?
Questionada se o governo do Estado seria uma pretensão natural para 2030, ela despista afirmando que antes disso ainda haverá o segundo turno para presidente e uma eleição municipal, e que esse seria um assunto a discutir “lá na frente” com o partido. Apesar disso, admite que governar Santa Catarina seria o sonho de qualquer liderança.
“Qual é o político catarinense que não tem o sonho de governar Santa Catarina? Só se é algum que não gosta de trabalhar, o que não é o meu caso. E esse sonho está mais perto de mim com essa votação. Mas é o que eu digo: a gente tem que trabalhar, com humildade. Eu não vivo só de sonho, eu vivo de trabalho”, afirma.
Chicote na comemoração
Após o resultado da votação, Júlia Zanatta e o marido apareceram em vídeos nas redes sociais com um chicote estralando nas ruas para comemorar a vitória.
“A gente tem uma expressão aqui que é ‘vai dar de relho’, ‘deu de relho’ na vitória. Então, eu peguei um relho para expressar a minha votação, simbólica, expressiva, histórica, desci do meu prédio e saí ‘dando de relho’, porque foi ‘dado de relho’ na votação”, explicou.
Perfil combativo e pecha de radical
No horário eleitoral deste ano, com a tiara na cabeça, Júlia Zanatta afirmava que os seus eleitores se sentiam representados porque ela “não foi a Brasília para fazer amigos”. A deputada afirma que nunca desrespeitou ninguém na Câmara, mas que se alguém a provoca ou a chama de nazista e fascista, “tem que estar preparado para a resposta”.
Após o a vitória na reeleição, Zanatta explica que a principal batalha travada por ela não é ideológica, mas contra excessos do Estado no dia a dia das pessoas, como na autonomia dos pais e na liberdade financeira.
Ela conta que ouvia de colegas de Brasília que poderia ficar isolada na Câmara em razão do perfil combativo, mas que dizia não ter problema nenhum com isso, desde que não ficasse isolada em SC.
“Se quiserem me odiar lá em Brasília, se quiserem me chamar de radical, se quiserem me colocar pechas, fiquem à vontade. Eu vou honrar o meu compromisso que eu tenho com o meu eleitor”, defende Zanatta.
Vitória após live sobre crise no PL
Em um dos momentos mais turbulentos do PL na pré-campanha, em novembro de 2025, Zanatta e a deputada estadual reeleita Ana Campagnolo protagonizaram uma live em que divergiam sobre a intenção de Carlos Bolsonaro concorrer ao Senado por SC, o que poderia fechar a porta para Carol de Toni no partido. Zanatta lembra que ela e Campagnolo divergiram, mas de forma muito educada e que uma têm respeito pela trajetória da outra. Na eleição de ontem, Carlos, Carol, Zanatta e Campagnolo se elegeram, as três últimas como as mais votadas dos seus cargos.
“Vida que segue, o clima está muito bom dentro do PL catarinense. O governador Jorginho Melo consegue coordenar muito bem essas situações”, ameniza a deputada reeleita.
Fonte:Nsc