A crise enfrentada pelos produtores de banana em Santa Catarina será debatida nesta quinta-feira (5), às 19h, na sede da Associação dos Bananicultores de Corupá (Asbanco). A reunião reunirá agricultores, cooperativas, entidades e lideranças políticas para discutir alternativas diante das dificuldades que atingem o setor há cerca de um ano.
O problema foi levado à tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), nesta quarta-feira (4), pelo deputado estadual Dr. Vicente Caropreso (União Brasil), que cobrou medidas para reduzir os prejuízos e garantir a continuidade da atividade.
A situação preocupa especialmente os municípios de Corupá, Luiz Alves, Massaranduba, Schroeder e São João do Itaperiú, importantes polos da bananicultura catarinense. Segundo o parlamentar, as condições climáticas adversas provocaram queda de aproximadamente 40% na produtividade e redução de até 25% nos ganhos da produção.
Produtores recebem até R$ 0,90 por quilo
A diretora executiva da Asbanco, Eliane Müller, explica que a crise resulta de uma combinação de fatores climáticos, aumento da concorrência, custos elevados e redução do poder de compra dos consumidores.
Segundo ela, as baixas temperaturas prolongam o desenvolvimento da banana nas lavouras catarinenses, atrasando a colheita e fazendo com que a produção local dispute mercado com frutas de outros estados.
Eliane também aponta a expansão das áreas de cultivo de banana nanica em Minas Gerais e na Bahia como um dos fatores que pressionam os preços. Conforme a dirigente, a migração para essa variedade está relacionada às dificuldades enfrentadas por produtores dessas regiões com o mal do Panamá, doença causada por um fungo de solo.
A banana nanica representa cerca de 80% da produção catarinense, segundo a diretora, o que amplia os efeitos da concorrência sobre os agricultores do estado.
Outro problema é a diferença entre os valores recebidos no campo e os preços cobrados ao consumidor.
"O que mais nos preocupa é a queda do poder aquisitivo do consumidor brasileiro. Enquanto o produtor está com uma carga para produzir muito alta e ganhando entre 60 a 90 centavos o quilo, o supermercado, que deveria ser o nosso aliado para vender a fruta, está cobrando entre R$ 4, R$ 5, R$ 6 até R$ 7 o quilo ao consumidor", afirma Eliane.
Setor busca decreto de emergência e renegociação de dívidas
De acordo com a representante da Asbanco, embora períodos de baixa remuneração façam parte dos ciclos da bananicultura, a duração da atual crise tem comprometido a capacidade financeira das famílias produtoras.
"Nós já passamos por diversas crises, e isso é até normal na vida do produtor. A cada ciclo, nós temos um momento de preços baixos. Acontece que nós já estamos completando um ano", relata.
Ela destaca que os agricultores enfrentam dificuldades para manter as propriedades após sucessivos investimentos na produção, agravados pelo encarecimento dos insumos.
Diante desse cenário, representantes do setor estão articulando medidas junto a autoridades municipais e estaduais, com participação da Febanana. Uma das principais reivindicações é a edição de um decreto de emergência que possibilite aos agricultores renegociar seus compromissos financeiros.
"Estamos mobilizados com várias autoridades do Estado, dos municípios, estamos pedindo um decreto de emergência para que, pelo menos, os nossos produtores possam renegociar as suas dívidas junto às agências bancárias", explica Eliane.
Crise também afeta a economia dos municípios
Santa Catarina ocupa a quarta posição nacional na produção de banana, com cerca de 3,8 mil produtores, a maioria vinculada à agricultura familiar. Somente em Corupá, aproximadamente 700 famílias estão envolvidas com a atividade.
Dr. Vicente defendeu a elaboração de um relatório técnico pela Epagri para dimensionar os impactos na produtividade e avaliar a situação econômica das propriedades. O levantamento poderá subsidiar a busca por medidas emergenciais junto à Secretaria de Estado da Agricultura, incluindo a prorrogação e o refinanciamento de dívidas rurais.

O parlamentar também alertou que as consequências da crise ultrapassam as propriedades agrícolas e atingem o comércio e os prestadores de serviços das cidades produtoras.
"Quando o agricultor recebe pouco, deixa de comprar insumos, contratar serviços e investir na propriedade. O dinheiro deixa de circular e toda a economia sente os efeitos. Precisamos agir para que esses produtores tenham condições de continuar trabalhando", afirmou.
A reunião desta quinta-feira foi articulada a partir de convite de Eliane Müller e da liderança política de Corupá Loriano Rogério Costa, conhecido como Kutcha. O encontro deverá contar com representantes de municípios da Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali), além de entidades ligadas à produção agrícola, para discutir encaminhamentos e alternativas de apoio às famílias atingidas.