Os casos prováveis de chikungunya em Santa Catarina mais que dobraram entre janeiro e fevereiro de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2026, foram considerados 43 casos prováveis das 78 notificações recebidas pela Secretaria de Estado da Saúde, enquanto 20 casos prováveis foram registrados no mesmo intervalo de 30 dias de 2025. Os números representam uma alta de 290%, o que causa um alerta para a prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, responsável por transmitir a doença.
De acordo com o diretor da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), João Augusto Fuck, o calor mais intenso, combinado com chuvas e acúmulo de água, pode ter contribuído para a alta nos casos, já que esse é o cenário ideal para a proliferação do mosquito vetor. Além disso, outros fatores podem contribuir para o aumento de casos prováveis como a suscetibilidade populacional, que diz respeito àquelas pessoas que não tiveram contato prévio com o vírus na região; circulação viral aumentada, com maior presença do vírus em circulação; e aumento da infestação do mosquito.
De acordo com o último boletim epidemiológico da DIVE, foram identificados 5.702 focos do mosquito Aedes aegypti em 218 municípios. Dos 295 municípios catarinenses, 185 são considerados infestados pelo vetor da chikungunya, zika e dengue.
A doença é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, com sintomas característicos como febre alta e repentina, acima de 38°C; dores intensas nas articulações, dor muscular, dor de cabeça, cansaço extremo e manchas vermelhas na pele. Depois da picada, o vírus se multiplica no corpo, ativando o sistema imunológico.
De acordo com diretor da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), João Augusto Fuck, a característica mais marcante da doença é a dor articular intensa, que pode ser incapacitante. Além disso, uma parte das pessoas infectadas desenvolve a fase crônica da doença, com dores articulares meses após a infecção. Os sintomas da febre chikungunya costumam aparecer de dois a 12 dias após a picada do mosquito Aedes aegypti infectado.
— A doença pode evoluir para quadros graves com comprometimento de órgãos, especialmente em grupos de risco, como crianças e idosos, e inclusive levar ao óbito. Em Santa Catarina no ano de 2025, foram registrados 4 óbitos pela doença — afirmou.
Casos de chikungunya em SC
Algumas cidades do Estado vêm registrando diversos casos nas últimas semanas. Em Xanxerê, foram registrados sete casos de chikungunya. Nesta semana, a Secretaria de Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica do município, confirmou mais dois casos, sendo um deles é considerado autóctone, quando a transmissão ocorre dentro do próprio município, e o outro ainda em investigação. Os dois novos casos envolvem uma adolescente de 17 anos, moradora do bairro Primo Tacca, e uma mulher de 51 anos, que mora no Centro da cidade.
Segundo o diretor da DIVE, os cuidados principais se concentram na prevenção e eliminação dos criadouros do mosquito. Dessa forma, a população deve seguir as seguintes orientações:
Evite que a água da chuva fique depositada e acumulada em recipientes como pneus, tampas de garrafas, latas e copos;
Não acumule materiais descartáveis desnecessários e sem uso em terrenos baldios e pátios;
Trate adequadamente a piscina com cloro. Se ela não estiver em uso, esvazie-a completamente sem deixar poças de água;
Manter lagos e tanques limpos ou criar peixes que se alimentem de larvas;
Lave com escova e sabão as vasilhas de água e comida de seus animais de estimação pelo menos uma vez por semana;
Coloque areia nos pratinhos de plantas e remova duas vezes na semana a água acumulada em folhas de plantas;
Mantenha as lixeiras tampadas, não acumule lixo/entulhos e guarde os pneus em lugar seco e coberto.
Casos de dengue e zika
Os casos prováveis de dengue também tiveram um aumento considerável em relação ao mesmo período comparativo, com 2.097 casos confirmados, inconclusivos ou suspeitos. Do dia 4 de janeiro a 2 de fevereiro de 2025, foram 947 casos prováveis, o que representa um aumento de 121,4% de um ano para outro. Em relação aos sorotipos circulantes no Estado, foram identificados os sorotipos DENV1 e DENV2.
Ao todo, três mortes estão sendo investigadas pela Secretaria Municipal de Saúde com apoio da Secretaria de Estado da Saúde.
No mesmo período, foram registradas 11 notificações de zika em Santa Catarina, com cinco sendo descartadas e seis suspeitas.
Fonte:NSC