O jornal O Município apurou que a Polícia Civil recebeu na sexta-feira, 17, uma denúncia de possível estupro de vulnerável envolvendo uma criança de 3 anos, que teria ocorrido durante o período em que ela estava em seu primeiro dia de aula em uma creche de Brusque.
De acordo com relato dos pais ao jornal O Município, confirmado por boletim de ocorrência ao qual a reportagem teve acesso, a criança iniciou as atividades na unidade em período integral na quinta-feira, 16. Ela estudava em outra unidade e havia sido transferida recentemente.
Ao retornar para casa após o primeiro dia, por volta das 19h, a menina apresentou sinais de desconforto e passou a chorar, além de demonstrar incômodo na região íntima, que, segundo o pai, “estava vermelha e machucada”.
“De início, pensávamos que poderia ser algum tipo de assadura. Porém, ela não usa fraldas e, a partir disso, ficamos com a pulga atrás da orelha e começamos a observar ela de perto”, relatou.
Na manhã de sexta-feira, 17, ao ser preparada para retornar à creche, a criança apresentou reação de nervosismo e implorou para não voltar ao ambiente escolar.
“Ela era apaixonada por ir para a escola, mas na hora entrou em desespero. Chorava muito, não queria ir de jeito nenhum”, disse o pai ao jornal.
Ao ser questionada pela mãe se teria acontecido algo diferente no dia anterior, a criança respondeu que sim. Questionada também se teria sido tocada por alguém, a menina confirmou.
Dificuldades na perícia
Diante da situação, a família buscou atendimento no Hospital Dom Joaquim. Em registro clínico, a médica pediatra que atendeu a menor confirmou a presença de hiperemia (vermelhidão) no introito vaginal.
Diante dos achados e do relato apresentado pelos pais, a médica optou por acionar a Polícia Militar e a Polícia Civil.
Após serem ouvidos, os pais conduziram a criança para a realização de exame pericial na sede da Polícia Científica de Balneário Camboriú.
No entanto, a criança entrou em estado de choque e não permitiu a realização do exame de corpo de delito.
Segundo o pai, o perito observou que a reação de pânico da menina ao ter a roupa baixada é um forte indicativo de que ela tenha passado por um evento traumático, não descartando a possibilidade de um abuso.
“Ele colocou no relatório que, devido à reação da criança, não foi possível a execução do exame. Agora aguardamos um novo posicionamento da Polícia Civil de Brusque”, disse o pai.
Incerteza sobre o local
A família afirma que, com base apenas nos relatos da criança, ainda não conseguiu determinar em que momento do dia a situação poderia ter ocorrido, nem se teria sido dentro da unidade de ensino ou durante atividade externa.
Isso porque, no mesmo dia do início das aulas, a turma participou de um passeio escolar a um sítio próximo à unidade.
A única certeza, segundo a família, é que, caso o abuso seja confirmado, ele teria ocorrido durante o período em que a criança estava sob os cuidados da creche.
O que diz a secretaria de Educação
A secretária de Educação, Franciele Márcia Mayer, informou ao jornal que tomou conhecimento do caso a partir da reportagem já que, até a manhã deste sábado, 18, a situação não havia sido formalmente comunicada à pasta.
Segundo ela, foi feito contato imediato com a gestão da unidade para o resguardo das imagens do sistema de videomonitoramento referentes à quinta-feira, considerando o prazo limitado de armazenamento.
A medida, conforme a secretária, tem o objetivo de garantir colaboração com as investigações que possam vir a ser conduzidas pela Polícia Civil e pelo Conselho Tutelar.
Franciele afirma ainda que, até o momento, o caso está em fase de apuração e não há definição sobre a natureza dos fatos, reforçando a necessidade de cautela na análise das informações.
Também disse que está previsto o acionamento do Comitê Integrado de Proteção da Criança na próxima semana, com o retorno das atividades administrativas, para acompanhamento do caso dentro dos protocolos institucionais.
Em relação ao sítio citado no contexto da ocorrência, a secretária esclarece que se trata de um espaço próximo à unidade escolar, utilizado de forma pontual para atividades pedagógicas ao ar livre.
O local pertence a um morador da comunidade e é cedido para ações educativas, com estrutura simples e presença de animais de pequeno porte e brinquedos.
Ela informa que as atividades são realizadas com transporte escolar autorizado e acompanhamento de três a quatro profissionais da unidade durante todo o período, com retorno programado à escola.
Segundo a secretária, não se trata de um espaço de permanência contínua, mas de uma atividade pedagógica específica, planejada e supervisionada.
“Esse sítio deve ter câmeras também, é preciso analisar as imagens. Como não sabemos onde e como pode ter ocorrido, é preciso checar tudo. Entendo que agora é um trabalho para a Polícia Civil, mas não vamos descansar até encontrar quem pode ter feito isso”, concluiu o pai.
Apuração em estágio inicial
Questionada, a Polícia Civil de Brusque informou que a suspeita de abuso foi registrada e que aguarda a conclusão da perícia para confirmar ou descartar a hipótese.
Por se tratar do estágio inicial de uma apuração, o nome e o endereço da unidade foram preservados, assim como a identidade da criança e dos pais.
Ao jornal, a família afirma aguardar esclarecimentos sobre o ocorrido.
“A gente deixa a criança na creche e espera que ela volte bem. Hoje ela está assustada. Na hora em que a mãe precisa trocar a roupa dela ou dar banho, ela entra em desespero. Ela está com isso na cabeça dela, de que quando alguém mexe nela é para fazer mal. Vamos começar acompanhamento psicológico para tentar entender melhor. Optei por fazer esse relato para alertar outros pais. É preciso observar com atenção cada comportamento dos nossos filhos. Nunca imaginei passar por isso na nossa cidade”, disse o pai.
Canais de denúncia
Informações que possam auxiliar investigações podem ser repassadas de forma anônima à Polícia Civil pelo Disque 100 ou diretamente em uma delegacia do município.
Fonte:O município de Brusque