A Polícia Civil concluiu a investigação sobre o atropelamento que matou um ciclista de 22 anos em Joinville, no Norte de Santa Catarina, e indiciou o motorista, de 23 anos, por homicídio culposo na direção de veículo automotor. Segundo a perícia, o carro estava a aproximadamente 123,9 km/h quando atingiu a vítima.
O acidente aconteceu em 25 de janeiro deste ano. O jovem atravessava a faixa de pedestres conduzindo uma bicicleta quando foi atingido pelo veículo. Ele chegou a ser socorrido com vida, mas morreu devido à gravidade dos ferimentos.
A investigação foi concluída na quarta-feira (23) pela 1ª Delegacia de Polícia da Comarca de Joinville, após a realização de diligências, depoimentos de testemunhas e análise de imagens de câmeras de segurança.
Perícia aponta que motorista acelerou antes da batida
As imagens registradas por câmeras próximas ao local foram encaminhadas à Polícia Científica para determinar a velocidade do veículo antes do atropelamento.
O laudo analisou três pontos de um trecho de aproximadamente 400 metros da Rua Blumenau, entre as proximidades do Terminal Urbano Norte e o local onde ocorreu a batida.
A perícia apontou que o carro trafegava a cerca de 103,5 km/h no início do trecho analisado e continuou acelerando até chegar a aproximadamente 123,9 km/h no momento do atropelamento.
De acordo com a investigação, a velocidade dificultou a reação do motorista diante da travessia do ciclista. As imagens também mostraram que a vítima já havia atravessado mais da metade da faixa de pedestres quando foi atingida pela parte frontal esquerda do veículo.
Com a força da batida, o jovem foi arremessado por dezenas de metros. Segundo a Polícia Civil, o motorista não reduziu a velocidade nem fez uma manobra para tentar evitar o atropelamento.
Polícia descarta possibilidade de racha
Durante a investigação, a Polícia Civil também apurou se o motorista estaria participando de um racha, hipótese levantada após o acidente.
Testemunhas foram ouvidas e as imagens das câmeras de segurança foram analisadas. No entanto, os investigadores não encontraram elementos que apontassem a participação de outros veículos em uma corrida ou competição.
Por isso, a hipótese de racha foi descartada.
A investigação também verificou se o motorista havia consumido álcool. Segundo os policiais militares que atenderam a ocorrência, ele não apresentava sinais de embriaguez. O condutor ainda realizou voluntariamente o teste do etilômetro, que teve resultado negativo para consumo recente de álcool.
Motorista foi indiciado
Com a conclusão do inquérito, o motorista foi indiciado por homicídio culposo na direção de veículo automotor, com aumento de pena previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) porque o atropelamento ocorreu sobre a faixa de pedestres.
No relatório final, o delegado responsável também apontou que as circunstâncias identificadas durante a investigação, principalmente a velocidade superior ao dobro do limite permitido e a aceleração progressiva do veículo, poderão ser analisadas pelo Ministério Público sob a possibilidade de homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual.
Essa avaliação caberá ao Ministério Público. O órgão deverá analisar as provas reunidas no inquérito e decidir se apresenta ou não denúncia e qual será o enquadramento jurídico dos fatos.
Fonte:Scc10