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Vírus da doença de Newcastle é detectado em granja de perus e coloca 133 propriedades de SC em monitoramento
Por Administrador
Publicado em 21/10/2026 15:06
Geral

A confirmação do vírus da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus acendeu um alerta no Oeste de Santa Catarina. Em Nova Itaberaba, município onde o foco foi identificado, cerca de 40% da economia depende da avicultura, segundo o prefeito Marciano Mauro Pagliarini.

Embora as aves da propriedade afetada não apresentassem sintomas da doença, a confirmação laboratorial levou à adoção de medidas para conter o vírus e evitar que ele se espalhe para outras criações.

O governo federal decretou emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba e nos municípios de Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Cerca de 133 propriedades com criação de aves estão na área de monitoramento.

“É uma situação que nos causa muita preocupação. Eu acredito que próximo de 40% da economia do município provém da avicultura. Então, um evento dessa magnitude impacta diretamente o município, a região e o estado por causa das exportações”, afirmou o prefeito.

Testes vão definir quais granjas podem retomar atividades

Segundo Pagliarini, representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária e da Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) participaram de uma reunião nesta quarta-feira (21) para definir as medidas de controle sanitário na região.

A estratégia prevê a realização de testes nas propriedades próximas ao foco, com prioridade para granjas que tenham aves próximas do abate.

Caso os resultados não indiquem a presença do vírus, os animais poderão ser liberados para o abate, conforme os protocolos sanitários. Se houver confirmação, será necessário adotar as medidas de controle determinadas pelas autoridades, incluindo o sacrifício das aves e sua destinação adequada.

O alojamento de novos lotes de aves também está suspenso. A retomada deverá ocorrer gradualmente, após a análise das propriedades da área de restrição e a liberação pelas autoridades sanitárias.

De acordo com o prefeito, os resultados de amostras já coletadas devem sair nos próximos dias, com prazo de até cinco dias para algumas análises.

“É um momento importante, mas a população não precisa entrar em pânico. O vírus está presente, mas a doença ainda não”, reforçou o prefeito.

Aves da granja serão enterradas após sacrifício

A propriedade onde o vírus foi identificado passa por procedimentos de eliminação do foco. Conforme o prefeito, as valas foram abertas, as aves foram sacrificadas durante a noite e o enterramento estava previsto para esta quarta-feira (21).

Na sequência, será realizada a desinfecção das instalações, com retirada da cama aviária e de outros materiais que possam contribuir para a permanência do agente infeccioso.

O período de vazio sanitário previsto é de 42 dias, segundo Pagliarini. Caso seja identificada nova ocorrência durante o processo, a contagem deverá ser reiniciada, conforme explicou o prefeito.

A confirmação do vírus ocorreu durante ações de vigilância sanitária. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, as aves não apresentavam sinais clínicos da doença, mas a presença do agente infeccioso foi confirmada em análises laboratoriais.

Pombos podem estar relacionados à presença do vírus

Uma das hipóteses levantadas para explicar como o vírus chegou à propriedade é a transmissão por aves silvestres, especialmente pombos. O prefeito ressaltou, porém, que ainda não há confirmação sobre a origem da ocorrência.

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves e médico-veterinário Luizinho Caron explicou que a doença de Newcastle é causada por um vírus do grupo dos paramixovírus e pode afetar aves domésticas e silvestres.

A transmissão pode ocorrer por contato com aves infectadas e por materiais contaminados, como secreções, fezes, água, alimentos, equipamentos e superfícies.

Entre os sinais clínicos estão problemas respiratórios, tosse, espirros, diarreia e hemorragias na pele. Em casos graves, a doença pode provocar elevada mortalidade entre as aves.

“Mas o principal deles realmente para a doença de Newcastle é a alta mortalidade”, destacou o pesquisador.

A ausência de sintomas, no entanto, não descarta a presença do vírus, o que explica a importância dos exames laboratoriais e do monitoramento das propriedades próximas ao foco.

Consumo de carne e ovos continua seguro

A confirmação do vírus também gera dúvidas sobre a segurança dos alimentos. Segundo Caron, a doença de Newcastle afeta aves e não representa risco associado ao consumo de carne de frango, peru ou ovos.

O diretor-executivo de Agropecuária da JBS Seara e presidente da ACAV (Associação Catarinense de Avicultura), José Antonio Ribas Junior, reforçou que o setor trabalha em conjunto com a vigilância estadual e o Ministério da Agricultura para conter a ocorrência.

“Temos convicção, estamos falando isso com muita ciência também, de que o consumo de carne não apresenta nenhum risco”, afirmou.

Ribas Junior ressaltou, contudo, que ainda é cedo para dimensionar os possíveis impactos sobre mercados, exportações e vendas. A expectativa do setor é conter rapidamente o foco e recuperar o status sanitário necessário para a normalização das atividades comerciais.

O prefeito de Nova Itaberaba também pediu tranquilidade à população e destacou que o objetivo das medidas é agir antes que o vírus se espalhe para outras propriedades.

“O vírus está presente, mas a doença ainda não. Então, imaginamos que seja o início e vamos contornar antes que isso se alastre”, declarou.

 

 

Com informações do ND Mais.

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